Hoje, Pituco, você começou na escola. E primeiro dia de aula da vida só tem um mesmo. O teu é 31/01/2017. Do alto dos seus 1 ano, 4 meses e 13 dias, você tomou café com papai e mamãe na padaria, vestiu o uniforme e andou de mãos dadas do carro até a porta escola. Um mini-humano de uniforme!
Quando você viu algumas crianças entrando na escola, você ficou todo corajoso e cruzou sozinho o portão. Aí a Claudia, sua coordenadora, veio te dar oi e você ficou cabreiro. Epa... Me levou pela mão até a calopsita Lolô, sentou no banco, fomos ao play... Lá você curtiu! Arara, escorregador, espaço ao ar livre...
Mamãe se despediu e você segurou forte meu dedo. Expliquei pra você: estarei te esperando na porta. No banco de madeira. Te dei um beijo e meu coração parou um milésimo de segundo. Nossa adaptação estava começando.
Você chorou alguns segundos - acho que nem deu 1min. A Vanessa sua professora te pegou no colo e levou você para conhecer o espaço todo. Esperei 5, 10, 25 minutos... Fui te espiar! Você estava maravilhado com as bolhas de sabão! É uma coisa linda mesmo, filho! Lindas... Leves... Brilhantes!
Quando deu uma hora que você estava brincando, sua professora veio com você no colo e sua mochila na mão. O primeiro dia tinha sido um sucesso. Você me olhou... olhou... e quis tetê! Mamou, riu, fez carinho. Estamos juntos nessa e em todas, meu amor. Você sabe.
Na hora de sair, você ficou um tanto indignado. Não deu tchau pra escola e apontou para o play. Amanhã tem mais... E tem muiiito mais, filho. Que sua jornada na educação infantil seja como bolhas de sabão: linda, leve, brilhante. E lúdica! Brinque, aprenda, se divirta. A mamãe e o papai sempre estarão lá na saída esperando por você, cheio de novidades.
Te amo!
Beijos,
Mamãe
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Te julguei, Patrícia
Patrícia,
Eu te julguei. Assumo. E não foi uma vez só, não. Julguei quando você descobriu que estava grávida, mesmo tomando o anticoncepcional direitinho. Como é que engravida assim? Daí eu descobri que mesmo com poucos dias (DIAS) de pausa, bem, engravida-se, sim. E que a pílula tem chance de erro, né?
Te julguei quando te vi cansada, descabelada, mal arrumada e mal humorada num aniversário. Poxa. Não é possível que um bebê dê tanto trabalho assim, né? Tanto trabalho que mal dá tempo de uma mãe se vestir decentemente, passar uma escova nesse cabelo que não vê corte há um tempo, passar um rímel? É. Dá trabalho. Se dá! Descobri na própria pele. Vesti o bebê duas vezes, porque ele conseguiu se sujar em tempo recorde. Fiz a mala, separei troca de roupa, fralda, um casaquinho, a lancheira, fruta, biscoito. Copo de água, né?, porque vai que lá não tem água. Enquanto o pai dele tomava o banho dele e escolhia a camiseta, eu tava nessa funça, e aí, veja só, não me sobrou tempo de lavar e escovar o cabelo. Tamo pronto, amor? Tamo. Epa, fez cocô. Troca de novo a fralda. E meu rímel, que nem sei onde é que tá!?
Te julguei, Patrícia, quando você ficou correndo atrás do bebê o tempo-todo naquele churrasco. O bebê não aceita o colo do pai, né? Deve ser culpa sua. Apegado! E o bebê subia e descia do brinquedo, no vento, e você mal comeu um sanduíche de linguiça. Cerveja nem pensar, né, porque o bebê mama em livre demanda e quando vê seu copo ainda fica interessado em dar um gole. Pra evitar a fadiga, vamos de água, mesmo. Agora eu entendo. Entre uma mordida e outra, você deixava o pão ali porque uma criança mais velha empurrou o seu filho, e vice-versa. Caiu, ralou, quis mexer no lixo, quis sair do prédio. Poxa, Patrícia, você não deixava a criança livre. Mas se você deixasse, eu te julgaria: mãe relapsa. Na volta, cadê o pão? Nem linguiça.
Te julguei quando você decidiu amamentar depois de um ano. Será que criança precisa mesmo disso? Mas hoje aplaudo de pé sua determinação. Taí uma decisão que é e era só SÓ SÓ! sua. Eu agora entendo. Do alto da minha falta de empatia, com meu olhar sereno de grávida que mal sabe o que está por vir: eu julguei. Mas hoje eu sei: entrei pro teu time, sem nem perceber direito. Afinal, a maternidade é dinâmica... Dinâmica como um tsunami em série. To (ou sou?) descabelada, cansada, mal vestida, sem rímel nem batom, sem comer nem dormir direito. Tamo junta, dá aqui um abraço. Desculpe. Desculpe mesmo, Patrícia. Espero não ter mandado energias negativas com meu olhar julgador. Porque eu recebo uns olhares, que, olha! Haja!
Outro dia nos vimos e você pintou o cabelo. Finalmente, né? Não leia com tom julgador. Porque agora eu te entendo. Acho que fui no salão na semana que o meu nasceu e hoje em dia, é fazer a unha pá-pum e olhe-lá. Mas o brilho no teu cabelo e, principalmente, o brilho no teu olhar me ajudaram, sabia? Te vi, te olhei, e li: "eu sobrevivi". Eu chego lá. Eu chego aí.
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