quinta-feira, 22 de agosto de 2019

maternagem alheia

Se for assistir à maternagem alheia, o faça com filtros.Você acompanha uma mãe na rede social e fica pensando... poxa, com 40 dias eu não celebrei o fim da quarentena. Po, com um mês eu não tive vale night. Caraca, com 2 meses eu não tinha unha feita, com 3 meses meu filho ainda chorava de cólica, com 4 meses não ficava assim no carrinho. O meu não deixava jantar/treinar/dormir/ver série. Eu levei bem mais de 6 meses pra conseguir ficar num aniversário até o parabéns... 

Nossa, 1 ano e já dorme a noite toda... No berço? Aqui não...Mas mãe não posta foto da fila do pronto socorro, do filho doente, não faz stories da birra em público, do drama pra tomar remédio. Não posta dia de vacina, de choro, de cólica, de cocô explosivo, de vômito, de febre, de noite em claro. Das brigas com o companheiro porque ta todo mundo cansado demais às 3 da matina pra achar o antitérmico. Ninguém conta a barra que é cuidar de tudo e ainda levantar no dia seguinte pra trabalhar... Nem como é puxado manter a calma e paciência, e que de vez em quando uns gritos vão rolar (e se trancar no banheiro também). Mãe nenhuma posta a cara cheia de olheiras, o cabelo sujo há três dias, não faz stories pra mostrar que a roupa tá super acumulada. Que hoje não tem janta, só o macarrão sem nada mesmo.

Nossa, mas então é tudo tão ruim assim? Nem de longe. Acredite: o melhor sorriso é aquele que você viu, não o que fotografou. O melhor te amo é o que seu filho fala quando você traz ele pra sua cama numa noite de tanto cansaço que você nem tem certeza de como chegou ao outro quarto. O amor é uma construção diária. E o amor de mãe é uma doação eterna onde, sim, muito se dá, mas um tantão se recebe.
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terça-feira, 28 de maio de 2019

Skype do céu

Ontem, batendo papo com Artur antes de dormir:

-Filho, vocês estão ensaiando pra festa junina?


- Sim, eu dancei com a Marcela (professora) mas vou dançar com a Manu Ferreira


- Que legal, você sabe que seus avós vem te ver, a vovó Rose, o vovô Mau, os bisos...


- É, e o zé, e o papai, a mamãe, o tio Lucas.... (pausa pra pensar)... Será que a vovó Fátima vai me ver la do céu?


- Acho que sim, filho...


- E será que tem um computador pra me ver, igual nas suas aulas?


27.05.2019

terça-feira, 31 de julho de 2018

Eu gritei com você

Ontem eu gritei com você. Mais que isso, eu vociferei um NÃO em caixa alta, eu rosnei. Eu saí de mim, tive um ataque de nervos e berrei com você como se você estivesse em outro extremo de uma praia barulhenta. Foi horrível. Na hora, eu simplesmente reagi como um bicho. Um bicho faminto amedrontado. Foi horrível.

O motivo é ridículo. Me envergonha. Você tinha vindo cansado da escola, mas bem humorado. Te dei banho depois de você tentar me enrolar miando e dizendo que gatos não tomam banho todos os dias. Lavamos o seus cabelos com dois xampus que você adora, o azul e o vermelho, e você ficou super cheiroso. Te vesti já com a camiseta da escola, pra que não passasse frio na manhã seguinte. Te penteei, conversamos. Fui à cozinha e fiz uma crepioca de banana com canela que você adora, e você comeu inteira.

Aí começou a fungar. Tentei te convencer amorosamente de todos os jeitos que colocar um soro no nariz era o melhor jeito. Mostrei duas opções, pinguei na sua mão e você, nada. Tentei por meio à força, e nada. Você estava irredutível. Coloquei no meu nariz então. Você, irredutível. Até que pegou o rinossoro novinho e virou todo o líquido em cima da sua Leia e no chão. Eu enlouqueci.

É banal. É pequeno. Eu saí do quarto brava, entrei no banheiro pra pegar uma toalha, sequei a zona enquanto você chorava. Te deixei ali uns segundos pra me acalmar. Percebi a merda que eu tinha feito, e voltei. Acendi a luz. Te peguei no colo. E caí eu no choro, de soluçar. Eu to tão cansada, filho. Te falei isso. Eu sei que foi banal. Que foi pequeno. Foi a gota que transbordou o copo. Seu pai disse que eu não posso perder a paciência com você - e eu concordo. Te peço desculpas de coração. Não justifica, mas te peço desculpas.

E quero aproveitar e te dizer que sou humana. Eu sei, às vezes não parece. Mães fazem tudo, dão conta, se preocupam, agem, planejam, trabalham dentro e fora de casa e ainda criam historinhas pra vestir os filhos, antes de encarar a maratona de fazer dormir. Mas eu sou humana. E humanos podem sim perder a paciência. Sentir raiva. Chorar. Se frustrar. Se irritar. Se cansar. Até errar. E depois se arrepender, e se desculpar.

Me desculpe, filho.

Meu amor por você nunca vai acabar. É infinito e incondicional. Espero que me perdoe pela reação, e que me enxergue como humana.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

MBA da maternidade

No dia 20 de janeiro de 2015 eu recebi uma notícia impressionante. Tinha sido aprovada no maior e mais complexo curso de formação que um ser humano pode aplicar: ia ser mãe. Comecei a primeira parte do programa praticando fé e confiança, porque muitas gestações se perdem no comecinho. Eu não tinha planejado entrar tão logo nessa empreitada, então estava assustada e um tanto temerosa. Semanas foram passando e passei a encarar outro tipo de desafio: aceitar que meu corpo já tinha começado a mudar e incluir no cardápio alimentos que jamais gostei, como limão e água de coco, e manobrar enjoos e um sono inacreditável.

Na segunda fase, iniciei o módulo de pesquisa e planejamento. Ouvi muitos comentários e opiniões, em sua grande maioria sem serem solicitados, mas comecei a separar o joio do trigo e entender o que seria importante para o sucesso do meu projeto. Nesse momento, o projeto ganhou nome: Bebê Artur. Listei as informações levantadas nas pesquisas e o planejamento começou, com o que eu precisava ter ou providenciar para dar andamento às próximas fases. Foi surpreendente: peito, colo e amor são recursos intangíveis e sem custo, e já vêm de fábrica, o que deixava tudo mais tranquilo. Ainda assim, muitas mães não usam esses recursos por N motivos. Não há pesquisa científica que prove, por exemplo, que colo demais faz mal.

Nessa fase também consegui um berço emprestado, e ganhei e comprei roupinhas. Lá pro sétimo mês, recebi a apostila do módulo seguinte, de dificuldade nível máximo. Exercício da paciência. Eu precisava de no mínimo um 9 para passar de fase, e até então, em 27 anos, só tinha alcançado notas 3 ou 4 no quesito. Para aplacar um pouco a pressão, nessa fase é liberado organizar um petit comite chamado "chá de bebê", onde você, com corpo totalmente alterado, é mimada por todos e ouve comentários bastante positivos como "você vai conhecer o amor maior do mundo", mas também coisas cruéis como "se prepara, você nunca mais vai dormir". Essa é comum, e varia entre tortura psicológica e ameaça. Seguimos.

Chega o mês previsto para entrega do projeto, ou seja, a data do parto tá quase. Yoga, pilates, drenagem, Kegel, massagem perineal, respiração, leitura de textos sobre sono, rotina e amamentação, lavar-passar-dobrar roupinhas (e refazer tudo por insegurança), fazer a mala da maternidade e dirimir a ansiedade das famílias está na pauta, com força total. Tudo é mandatório. Mas a tal data não chega nunca. E, quando chega, no geral - dados apontam que em 99,9% dos casos - tipo nada sai conforme o planejado. O bebê nasce no dia e hora, e do modo que ele escolheu. Começa, então, o módulo "Exercício do descontrole"...

Esse módulo tem 191764591762 horas, ou seja, você o fará para sempre. No começo, consiste em não controlar horários de mamadas nem tempo de sono. Depois, os desafios aumentam. Por mais que você planeje, o projeto tem uma vida própria e decide fazer cocô explosivo no minuto que você abriu a porta para ir ao pediatra; ou acordar no momento que costuma dormir, inviabilizando seu almoço. Quando me sinto treinada para todo e qualquer imprevisto, ele muda o padrão novamente. É que essa matéria visa deixá-la totalmente preparada, e com baixa expectativa. Sei que vai valer a pena. É bom estar bem treinada até a adolescência, quando terei que lidar com sumiços, baladas de madrugada, namoradas e afins. Ui.

O MBA é intenso, 24/7, sem intervalos. Tem ondas mais tranquilas e fases que simulam tsunamis. "Não vou dar conta" é um sentimento comum entre essas participantes. E bem naquele dia que só chorei de desespero e cansaço, e quase tatuei "não vou dar conta", e me vi com o mesmo pijama e sem lavar o cabelo há 3 dias, que o bebê sorriu pela primeira vez, ou bateu palminhas - você esquece na hora a dificuldade. E, lembre-se, o módulo segue durante todo MBA da maternidade, é obrigatório para ser aprovada nas outras disciplinas.

Enquanto essa está em andamento você já iniciou, quase sem perceber, um Master em Gerenciamento do Tempo - consiste em fazer mais do que duas coisas ao mesmo tempo, definir prioridades sem apego, focando na entrega e um pouco menos nos processos envolvidos. Exemplos reais: não é possível refletir sobre o cardápio, é preciso comer o que tem, e rápido; como também esqueça a preocupação ecológica e lave aquela máquina de roupas mesmo sem ela estar full - sabe Deus quando você conseguirá lavar roupa de novo. Essa habilidade, depois que conquistada, será útil não apenas em casa, mas altamente aplicável no mercado de trabalho. Seguimos.

Falando nisso, está chegando o fim da licença-maternidade (algumas almas pobres chamam de "férias", e eu desejo o inferno a elas sem culpa) e momento da volta ao escritório. Firme, forte e segura, com um esquema digno de War montado, o dia chega... Você acorda 3h antes do normal e sai atrasada. O bebê vai gorfar na sua camisa no dia que você tem uma reunião importante (e óbvio que a roupa está acumulada, lembra? Então você vai com uma roupa bem meia-boca, mas nem liga - não dá tempo). Fiquei sabendo que se lidarmos bem, ótimo, significa bom andamento do Programa de Desapego do Controle; do contrário você vai chorar e esbravejar, gritar com tudo e todos, e depois sentir culpa por não se aplicado mais na repetição do mantra "aceita, que dói menos". No trabalho, suas novas habilidades construídas durante a gestação e primeiros seis meses vão assustar os colegas que esperavam uma mãezinha no retorno. É Mãe, em caixa alta, e com um MBA em curso! Respeita, pô. Provavelmente você vai ter (ou arrumar) tempo para responder a todos os emails, tomar cafés, organizar as gavetas, fazer mercado no almoço, e ainda babar nas fotos da cria - e ordenhar um LM nos intervalos, por que não?!


O aniversário de 1 ano de projeto se aproxima, e, me sinto mais segura e confiante. Mas fiquei sabendo que os desafios estão longe de acabar. Os saltos e picos vão sumir da tabela, mas continuarão acontecendo - porque agora é sem apostila. Você saberá os identificar no feeling (outros sintomas são choro, mudança de personalidade da criança e sono picado). A sociedade começa a pressão (sem embasamento teórico) pelo desmame. Nessa hora, me inscrevi no workshop opcional "Como fazer cara de alface para pitacos sem-noção" - e olha, vale a pena. Na sequência, começa uma greve alimentar de deixar qualquer ser humano yogue de cabelo em pé - volte para o mantra "aceita, que dói menos". O projeto simplesmente não come, e você não entende por que, e ele continua crescendo.

O mantra acima começa a ser aplicado também no módulo Sexto Sentido - você sabe que a cria vai cair, vê caindo, em câmera lenta, e muitas (todas) vezes não consegue fazer nada para evitar o galo. Nessa fase é esperado que você já saiba lidar bastante bem com febres misteriosas, manchas de leite e cocô nas roupas, noites em claro, e também, claro, os sorrisinhos e mãozinhas mais fofos do mundo, além de beijos babados e algumas palavrinhas balbuciadas. O primeiro ano está quase no fim e seu Projeto evolui diariamente. Melhora a coordenação motora, fala cada vez mais, entende o que você fala, começa a correr, comer sozinho, conquistar uma certa autonomia. Tem horas que você não vê o dia de entregar um TCC - aquele dia que o projeto se limpará sozinho, dormirá a noite toda tranquilo e poderá brincar (ou ler, ou jogar videogame, ou tomar banho sozinho) enquanto você cozinha ou vê um filme. Mas também tem muitos momentos de "eu queria estar admissão ainda e voltar esse projeto pra barriga...".

Nessa hora, vale lembrar, você não tem mais orientador nem incentivador. Quem te liga sequer quer saber de você; só do projeto. Seu celular só tem foto do projeto. Você faz basicamente tudo pensando no projeto, e ninguém nunca mais te trouxe um doce que você gosta, como era na gravidez. Seu corpo tá quase normal e você voltou a ciclar, então no período fértil fique atenta: seus óvulos e essa saudade da primeira gestação podem te confundir e você acabar encomendando um segundo projeto...

Com a proximidade dos dois anos do bebê, da noite pro dia você percebe que o curso evoluiu rápido, e começa a fazer um PHD em Negociação. Os tais terrible two (ou wonderful twos) são reais. É lindo e assustador; o bebê vai ficando autônomo e sabe por a roupa sozinho, e a gente baba, mas ao mesmo tempo quer ir de pijamas na festa de gala ou no evento do seu trabalho. Exercitar a paciência (lembra do fim da gravidez?) volta com força total. Nessa fase, os livros da ONU sobre negociação/paz mundial etc podem ajudar. O projeto fala "esse não", "não qué", sai correndo pelado, joga comida do prato. Você negociará desde a estampa da camiseta até o corte da maçã, visando cumprir os objetivos básicos - vestir razoavelmente a cria e mantê-la alimentada e hidratada.

Chegam os 2 anos, seu projeto ama a festinha dele, sopra vela, puxa a galera pra cantar parabéns duas vezes e seu coração explode de amor... E há outras coisas muito boas nessa fase: seu bebê corre pra te abraçar, te beija, faz carinho, fala "mamain" do jeito mais fofo do mundo, da mais e mais beijos babados. O amor só cresce. E só tende a crescer.

Obrigada, filho, por esses 25 meses de MBA. Sou uma mulher-mãe-esposa-ser-humano melhor, e ainda tenho tanto a aprender com você. Seguimos! 

terça-feira, 18 de julho de 2017

[textão] [relato de amamentação] [volta ao trabalho] [redução de mama] [sem mitos]
Eu queria fazer um relato de amamentação, mas vou mesclar outros assuntos, entre eles um que descabela, como me descabelou, muitas mães aqui: volta ao trabalho. Deixei, em março/2016, um bebê de 6 meses e 12 dias em casa, e hoje encontro, quando volto, um lindo e saudável menininho de 1 ano e 10 meses. Que anda, tem todos os dentes, come sozinho, fala, faz escolhas, quer se vestir, está no terrible two! Rs Decidir voltar ao trabalho não foi emocional, foi racional: eu precisava do salário, do FGTS que paga parte da parcela da minha casa e do seguro-saúde. Meu coração queria que eu parasse, cuidasse apenas do bebê, fosse "mãe em tempo integral" (ponho entre aspas pq mesmo sem dedicar 100% do meu tempo a ele, sou sim mãe em tempo integral, de cabeça e coração). Eu chorei quase um mês antes de voltar. Todas as minhas amigas se revezavam em casa, me levando jantar e dando os ombros pra eu chorar pq eu não fazia ideia de como a gente ficaria. Saio de casa 7h30, volto 18h30. Longas horas sentada no escritório, enquanto meu bebê era cuidado por outra mulher - a Gleice, uma babá-anjo que apareceu e cuidou lindamente do meu bebê, até ele ir pra escola em fevereiro desse ano. Eram muitas as dúvidas... Ele comeria na minha ausência? Quanto LM era preciso deixar? Ela saberia dar no copinho? Aquecer o LM? E se acontecesse alguma coisa? E se ficasse doente? E se chorasse? E se faltar leite? E se sobrar e der mastite? E se...?Os entraves também eram gigantescos: as salas de reunião são de vidro, a geladeira é só da diretoria, a empresa é machista, eu não consigo me adaptar à bomba, o bebê só dorme no peito... Quase enlouqueci. Mas decidi ouvir o muso González e não "treinei" a saudade. Pelas manhãs, a babá chegava e meu marido ensinava como oferecer o leite no copinho. Eu aproveitava pra tomar banho rs! Em poucos dias ela já dominava a arte. Conforme fui ficando segura, saía rapidamente: mercado, unha, correio, banco. E eles foram se entendendo. Ela aprendeu a fazê-lo dormir - e eu, mãe-louca que sou, morri de ciúme! kkkEu conversava sempre com o bebê, o que me ajudava a me convencer também: mamãe precisa e quer trabalhar, você ficará bem, e no fim do dia eu volto. E o dia chegou. Levantei, me vesti, dei tetê, tomamos café, saí. Fui firme, trabalhei um mooonte (percebi como minha produtividade tinha aumentado e meu foco, melhorado), olhei no relógio e já estava na hora de sair. Ah, sem esquecer a térmica com o precioso tetê! UFA! Se fosse assim sempre, tava bom... E assim seguimos por longos 7 meses. No trabalho, recepcionista me ajudava arrumando uma boa sala, sempre, a geladeira foi liberada, a curiosidade das pessoas sobre minha térmica foi passando. Ordenhei 2 vezes por dia até Artur completar 12 meses de vida, aí parei uma ordenha, meu corpo se adaptou, depois de um mês parei a outra. E fim da ordenha... Ah, ordenha manual sempre, pq eu + bomba = caos. Ah, e eu tenho redução de mama!O bebê ficou ótimo. Eu, também. Hoje, mais de 6 meses depois de ter parado de ordenhar, chego em casa e ele mama. Mama de manhã, mama de noite pra dormir, e mama um pouquinho a mais de fim de semana pq né, tetê ta ali. "Você tem leite ainda?" Tenho. Enquanto tiver bebê mamando, tem leite sendo produzido. Ta bom? Então ta bom! E jájá (em 2 meses exatos) celebraremos 24 meses de amamentação! Enfim, queria dizer pras mães angustiadas que precisam/querem/vão voltar a trabalhar: dá tudo certo. Tamo juntas!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ele tá feliz?

Sabe, filho, desde que você tem seis meses e pouco de vida eu preciso te deixar por longas horas longe de mim. Foi bem duro no começo, porque eu estava dividida: ser sua mãe é a maior aventura que já vivi, claro. É desafiante, interessante, inebriante, é exaustivo, também. Mas voltar a trabalhar era importante pra mim, foi como recuperar um pouquinho do meu eu... Me reencontrar. E como toda grande mudança, foi bem difícil, claro.

Mas fomos, aos poucos, nos adaptando. Você mamava no copinho o leite que eu tirava todo dia, e também se alimentava bem. Brincava no seu quarto, no parquinho e na brinquedoteca. Dormia no colo da Gleice, do papai, dos avós, no seu quartinho. Via, vez ou outra, um desenho.

Depois, mais crescido, andando firme, começou na escola. Foi um grande passo para nós. Você evoluiu rápido, começou a correr, falar, fazer artes (plásticas e artes mesmo rs...). Leio sua agenda todo dia pra saber como foi seu dia. Comeu, fez cocô, dormiu quanto tempo, teve algum dodói, alguma novidade?

Mas a pergunta que sempre faço quando quero saber de você é: ele tá feliz? Pergunto pra vovó e pro vovô, pro papai, perguntava pra babá, e pergunto na escola. Ele tá feliz?

Quando você tá feliz você come bem, dorme bem, brinca, se diverte, vem cheio de energia. Me abraça, me dá beijo babado, me aperta o rosto com essas mini-mãozinhas e ri, sorri com esses olhos azuis de um jeito que o mundo pode acabar de tão plena que me sinto!

Ver você feliz é meu único e principal objetivo nessa vida, filho. O que estiver ao meu alcance, pode apostar, eu farei.

Por enquanto, macarrão, tetê, pão-de-queijo e suco de melancia (e um chocolatinho roubado vez ou outra) dão conta do recado. Mas saiba que a mamain estará aqui pra você em qualquer situação. Nos dodóis, nas frustrações e chateações, nos erros (que sejam leves, hein!), quando seu time perder, quando você partir um coração ou tiver o seu partido, nos medos, angústias, inseguranças...

Meu colo é pra sempre seu. E espero ouvir um "sim" cada vez que eu perguntar: ele tá feliz?

Te amo!
Mamãe
10.07.2017

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Você já fala... 10.07.2017

Cacacuga (tartaruga)
Desche (peixe)
Desce
Main
Mamain
Papai
Pai
Balí
Dorí
Vovó
Vovô
Pati (parque)
Pati (pra moça que nos ajuda)
Pan (pão)
No / nãum / not
Cocó
Bacate (pra todas as frutas)
Uva
Água
Cocô
Schischi
Pote (pote, e serve para copo também)
Ú-kás (Lucas)
Maish
Uicato (suricato)
Uôo (vuou)
Atita / Aíssa (Clarissa)