terça-feira, 31 de julho de 2018

Eu gritei com você

Ontem eu gritei com você. Mais que isso, eu vociferei um NÃO em caixa alta, eu rosnei. Eu saí de mim, tive um ataque de nervos e berrei com você como se você estivesse em outro extremo de uma praia barulhenta. Foi horrível. Na hora, eu simplesmente reagi como um bicho. Um bicho faminto amedrontado. Foi horrível.

O motivo é ridículo. Me envergonha. Você tinha vindo cansado da escola, mas bem humorado. Te dei banho depois de você tentar me enrolar miando e dizendo que gatos não tomam banho todos os dias. Lavamos o seus cabelos com dois xampus que você adora, o azul e o vermelho, e você ficou super cheiroso. Te vesti já com a camiseta da escola, pra que não passasse frio na manhã seguinte. Te penteei, conversamos. Fui à cozinha e fiz uma crepioca de banana com canela que você adora, e você comeu inteira.

Aí começou a fungar. Tentei te convencer amorosamente de todos os jeitos que colocar um soro no nariz era o melhor jeito. Mostrei duas opções, pinguei na sua mão e você, nada. Tentei por meio à força, e nada. Você estava irredutível. Coloquei no meu nariz então. Você, irredutível. Até que pegou o rinossoro novinho e virou todo o líquido em cima da sua Leia e no chão. Eu enlouqueci.

É banal. É pequeno. Eu saí do quarto brava, entrei no banheiro pra pegar uma toalha, sequei a zona enquanto você chorava. Te deixei ali uns segundos pra me acalmar. Percebi a merda que eu tinha feito, e voltei. Acendi a luz. Te peguei no colo. E caí eu no choro, de soluçar. Eu to tão cansada, filho. Te falei isso. Eu sei que foi banal. Que foi pequeno. Foi a gota que transbordou o copo. Seu pai disse que eu não posso perder a paciência com você - e eu concordo. Te peço desculpas de coração. Não justifica, mas te peço desculpas.

E quero aproveitar e te dizer que sou humana. Eu sei, às vezes não parece. Mães fazem tudo, dão conta, se preocupam, agem, planejam, trabalham dentro e fora de casa e ainda criam historinhas pra vestir os filhos, antes de encarar a maratona de fazer dormir. Mas eu sou humana. E humanos podem sim perder a paciência. Sentir raiva. Chorar. Se frustrar. Se irritar. Se cansar. Até errar. E depois se arrepender, e se desculpar.

Me desculpe, filho.

Meu amor por você nunca vai acabar. É infinito e incondicional. Espero que me perdoe pela reação, e que me enxergue como humana.

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