Ontem, filho, você caiu. Caiu feio, de machucar, pela primeira vez na sua vida de 12 meses e 22 dias. Estávamos na livraria quando você foi testar se ali, naquele piso diferente de carpete, também funcionava seu mecanismo de ficar em pé sozinho. Uma piscada depois você estava no chão, de lado, com a lateral da cabeça no banquinho de madeira do espaço kids. Chorando, sentido, chegou a perder o ar. Eu também.
Olhei seu rosto molhado de lágrimas, consegui te acalmar e você silenciou. Já queria dançar, brincar. Mas o hematoma começou a inchar, um vergão grande e vermelho apareceu e num outro piscar de olhos me vi pedindo gelo na cafeteria. É isso, não, é? Bateu, gelo. Mas parece que esqueci de combinar contigo essa modalidade de socorro, você urrava tanto que desisti. Queria continuar engatinhando, cantando e dançando. Estava bem, apesar do susto.
Eu é que demorei mais tempo para me recuperar. Cheguei a ficar zonza. E o pior: frustrada. Como você caiu, se eu estava tão pertinho? Como deixei você se machucar, tomar esse susto? Como?
Mais à noite, colocando você para dormir e observando sua respiração tranquila, percebi que eu havia me machucado mais do que você naquela queda. Doeu seu rosto, claro, mas passou e você seguiu a vida. Talvez da próxima fique mais atento, talvez ainda caia algumas vezes até se firmar.
Eu, como sua mãe, carrego o desejo de acolchoar seus caminhos, proteger as quinas, prever os riscos e segurar você antes da queda. Evitar suas frustrações, que você sinta dor, susto, medo. Mas não posso; você há de aprender com suas tentativas e erros. Meu papel é simples como foi ontem: dar colo e aconchego a cada tombo seu.
To aqui, pra sempre.
Te amo.
Mamãe
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